Não consigo
dormir… Dou voltas e voltas… Não dá… Perguntas que procuram desesperadamente por
uma resposta assaltam a minha mente… E o coração? Bem, esse é mais um espectador
do drama assustador que passa na minha cabeça. Como é grande a quantidade de
palavras que ficaram presas nas grades que ainda seguram o meu peito. Estes
caminhos que ligam a razão ao sentimento estão repletos de armadilhas estranhas
e pedras caídas dos mais frios dos montes.
Esta noite
deparei-me com algo mais monstruoso… um precipício…e a única solução que a
minha vista turva me mostra é deixar-me ir. Sensação de impotência perante a monstruosidade
de um precipício atormenta esta minha tentativa falhada de dormir… Só queria
dormir… Mas parece que esta noite perfeita traçou outros planos para mim,
talvez por estar uma noite tão linda ela decidiu que hoje tenho que admirá-la.
Como algo tão sombrio, escuro e misterioso pode ser tão perfeito?! Oh como eu
desejava fazer parte da pintura que é a noite. Podia ser uma estrela não
importava que fosse a que brilha menos, não importa, oh noite fazer parte de ti…
Mas eu sou só eu, porque haveria de ter o privilégio de ser tua oh noite escura
e perfeita? Contento-me em ficar aqui, distante (ainda a tentar dormir). A lua
sorriu para mim disse que queria que eu chegasse até ela (oh só posso estar
doida a lua não sorri, não fala), eu ri tanto oh como ri, tal pedido deixou-me
em êxtase sou só uma miúda, que nem sabe compreender os mistérios que a vida
teima em esconder atrás das mais bonitas paisagens. Como chegaria ati oh lua? Desta
vez foi ela que riu de mim, o que me deixou triste. Ela sabia tudo, o motivo de
a minha vista estar turva à pouco, que eu queria fazer parte da noite, sabia até
coisas que tinham ficado pressas nas grades que seguram o meu peito e todos os
sentimentos que ele guarda. Sabes dos meus segredos e porque não revelas tu os teus?
- perguntei… não obtive qualquer resposta….
O vento
fez-se sentir e as árvores cantaram a mais bela canção de embalar, uma sinfonia
que me fez levitar, recebi a mais terna das caricias pela luz daquele astro que
sabia tudo de mim e me mantinha na ignorância sobre si, eu, já de olhos fechados ouvi - “descansa agora, a
noite é algo demasiado grande e sinistro para ser compreendido e alcançado por
uma menina que não compreenderia o porquê dos segredos que se escondem em cada
estrela. Fica com o vento e as árvores.”
Cristiana Gonçalves
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