quinta-feira, 29 de março de 2012

A noite



Não consigo dormir… Dou voltas e voltas… Não dá… Perguntas que procuram desesperadamente por uma resposta assaltam a minha mente… E o coração? Bem, esse é mais um espectador do drama assustador que passa na minha cabeça. Como é grande a quantidade de palavras que ficaram presas nas grades que ainda seguram o meu peito. Estes caminhos que ligam a razão ao sentimento estão repletos de armadilhas estranhas e pedras caídas dos mais frios dos montes.
Esta noite deparei-me com algo mais monstruoso… um precipício…e a única solução que a minha vista turva me mostra é deixar-me ir. Sensação de impotência perante a monstruosidade de um precipício atormenta esta minha tentativa falhada de dormir… Só queria dormir… Mas parece que esta noite perfeita traçou outros planos para mim, talvez por estar uma noite tão linda ela decidiu que hoje tenho que admirá-la. Como algo tão sombrio, escuro e misterioso pode ser tão perfeito?! Oh como eu desejava fazer parte da pintura que é a noite. Podia ser uma estrela não importava que fosse a que brilha menos, não importa, oh noite fazer parte de ti… Mas eu sou só eu, porque haveria de ter o privilégio de ser tua oh noite escura e perfeita? Contento-me em ficar aqui, distante (ainda a tentar dormir). A lua sorriu para mim disse que queria que eu chegasse até ela (oh só posso estar doida a lua não sorri, não fala), eu ri tanto oh como ri, tal pedido deixou-me em êxtase sou só uma miúda, que nem sabe compreender os mistérios que a vida teima em esconder atrás das mais bonitas paisagens. Como chegaria ati oh lua? Desta vez foi ela que riu de mim, o que me deixou triste. Ela sabia tudo, o motivo de a minha vista estar turva à pouco, que eu queria fazer parte da noite, sabia até coisas que tinham ficado pressas nas grades que seguram o meu peito e todos os sentimentos que ele guarda. Sabes dos meus segredos e porque não revelas tu os teus? - perguntei… não obtive qualquer resposta….
O vento fez-se sentir e as árvores cantaram a mais bela canção de embalar, uma sinfonia que me fez levitar, recebi a mais terna das caricias pela luz daquele astro que sabia tudo de mim e me mantinha na ignorância sobre si, eu,  já de olhos fechados ouvi - “descansa agora, a noite é algo demasiado grande e sinistro para ser compreendido e alcançado por uma menina que não compreenderia o porquê dos segredos que se escondem em cada estrela. Fica com o vento e as árvores.”
Cristiana Gonçalves

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