quarta-feira, 30 de maio de 2012

Carta


É a primeira carta que te escrevo mas na verdade na minha cabeça já escrevi centenas delas para ti. Muitas ficaram por acabar porque as lágrimas e a dor no peito me impediam de pensar e de esconder a tristeza que escondo durante o dia e que á noite sozinha me acompanham.
Não consigo perceber até hoje porque saí daí… eu era feliz com a minha inocência, não precisava de ter nem de saber mais nada. Eu era…
A verdade é essa eu era feliz mas agora sobrevivo, sorrio, porque tem que ser. Viver com esta máscara dói mais do que possas imaginar por isso te queria aqui, sei que tu não me irias deixar chorar sozinha sei que tu me conhecias melhor do que eu própria e agora? Provavelmente já nem nos reconheceremos porque já passou muito tempo, já não sou a mesma com quem tu cresceste, com quem falas-te sobre os primeiros amores, desilusões… enquanto te escrevo esta carta o meu coração está apertado, sento-me presa num sítio onde eu não queria estar, queria-te aqui.
Lembro-me como se fosse hoje todos os momentos contigo, as partidas que fazíamos na escola, as voltas que dávamos numa escola que parecia tão pequena mas que nós encontrávamos encanto nela todos os dias, os cânticos de apoio no futebol dos rapazes da turma, os momentos que passamos naquela pequena escola mas onde passamos tantos bons momentos, depois o medo que sentimos em ir para à “escola grande”, e o caminho que fazíamos todos os dias, as aventuras na linha do comboio, o quanto nos divertíamos nessa curta distância da escola para casa.
Depois eu disse que ia embora eu não queria acreditar e tu também não, o que eu vinha a anunciar à tanto tempo infelizmente tornou-se realidade e eu tinha que vir embora no prazo de menos de uma semana eu ia embora e tinha que me despedir de todos, só eu sei o quanto chorei na cama que em breve teria que deixar, tu deste-me algo que até hoje está no meu quarto e onde eu escrevo sempre que posso um dia vou mostrar-te tudo o que nele escrevi e vais chorar assim como eu choro ainda hoje por não estar aí.
Mana esta carta não é a primeira e não será a última.

Sem comentários: